GNR

Twittersfera/blogosfera/umbigosfera não sossega né. Adora falar pra cada um cuidar do próprio cu, mas está sempre de olho no cu dos outros.

E aí que eu resolvi ir no tal show do Guns and Roses. Comprei ingresso pra arquibancada, porque sou pobre (vide posts passados) e odeio ficar amassado na pista com um monte de nego suado, e eu sou baixinho e não vejo porra nenhuma.

A data vem chegando, e começam a falar que Guns não é mais o mesmo, que o Axl é um cuzão, outros falam que vai ser um show do caralho e por aí vai. E fica um flamewar do cacete, que começou lá na década de 90, quando ele dava pitizinho e show de estrelismo por aí. E tem aqueles que falam que o Axl é um drogadinho que devia morrer por não estar aí pro mundo, e outros falam que é atitude rock and roll - como aquele tal de @mionzera, que foi gatão um dia na MTV por ficar falando merda e agora modera os pensamentos porque se vê como formador de opinião.

E o tal do vocalista gordo resolve não aparecer no show da Disco. Pronto. Mais combustível pro flamewar.

Esse tipo de coisa me deixa puto pra caralho. Sabe porquê? Porque não sou fã de banda alguma. Eu não sei quem é o guitarrista, o nome completo do vocalista, quantas formações rolaram ou quem era de tal banda que foi pra outra. Porra, já nem sei fazer isso com futebol, quanto mais com música.

Eu sou fã das músicas.

Não é porque o Metallica foi cuzão com o Napster que eu não fui no show deles. Não fui porque não conheço muitas músicas. Enter Sandman, Nothing Else Matters e One acho que são as únicas. Não é porque o Bono falou que quem baixa música sem pagar deve morrer que eu nunca fui e nunca irei no show. Eu simplesmente não curto a música dele, caralho.

Eu fui no show do Guns and Roses porque eu ouço a porra das músicas há 18 anos. E, tirando as novas, eu conheço e gosto de cada uma que rolou no setlist. Aquilo é parte da minha infância e minha adolescência, eu ouço Live and Let Die e lembro do meu irmão com 15 anos e de quando ele comprou os Use Your Illusions. E, queira ou não, pop ou não pop, November Rain é linda. E Sweet Child o’ Mine tem um solo lindo, harmônico, que tem um ritmo, uma escala e um crescendo foda. E eu cresci com meu irmão tocando Patience no violão de noite, com a casa em silêncio.

Eu não paguei R$78,50 pra ver o Axl, ou porque eu sou fã da banda. Eu paguei porque foi uma oportunidade única de ver, ao vivo, uma banda tocar essas músicas com as quais eu cresci ouvindo, nos LPs, K7s e CDs. E quer saber? Com ou sem Slash, a banda é muito foda. O Slash é um gênio porque ele criou as músicas. Mas todos os músicos mandaram bem. O único ponto falho foi o Axl. Não porque ele é drogado, porque ele xinga, porque ele parou a primeira música pra dar piti ou porque ele não apareceu no show na Disco. Foi falho porque foi um mau vocalista. Não aguentou alcançar e segurar as notas e estava sem potência na voz.

E logo mais tem shows do Placebo e do Epica. Eu quero ir. E não é porque sou fã das bandas - não sei o nome de ninguém do Placebo, e do Epica eu sei que tem a Simone e o Mark. Quero ir porque eu acho as músicas de ambos do caralho. E ponto. Preciso de mais motivos?

A poética de uma segunda-feira - Parte 2

O telefone que nunca toca. O e-mail que nunca chega. A hora que não passa. O script que não funciona. A tarefa que nunca termina. Os tweets que não atualizam. Os feeds que não aparecem. As palavras que não saem.

A segunda-feira que não termina.

A poética de uma segunda-feira

Hoje vi 7 tweets de pessoas falando o quanto a segunda-feira delas estava ótima, feliz, otimista, proveitosa. Aparentemente ninguém no mood “awww, mondays”.

E eu me pergunto o que há de errado comigo, por estar de tão péssimo humor. Seria o fato de que eu não estou com inspiração pra trabalhar? Seria o fato de que meu estômago está uma merda? Seria o fato de que acabei de constatar que estou R$5.569,24 NEGATIVOS no banco?

A maior e pior ironia: estou finalmente lendo os textos e fazendo anotações pro meu TCC, porque a inspiração pra isso (que não apareceu nos últimos 14 meses) resolveu aparecer hoje.

Ah, segundas-feiras.

Preguiça das coisas da vida

Estou ficando velho. Sabe quando você começa a perceber que a vida mudou totalmente, está prestes e ter uma independência total e boa parte da sua vida é como você imaginou que poderia ser anos atrás? Pois é, nessa hora você vê que está ficando velho.

Eu mudei, criei uma certa maturidade, e agora posso admitir: eu tenho muita preguiça de várias coisas da vida. Por exemplo: eu tenho preguiça pra caralho de baladinha padrão, essas Pachas e Pink Elephants da vida. Porra, há uns 6, 7 anos, eu teria medo de admitir isso. Medo de não ser legal, medo de ser rejeitado, medo de ser aquele cara nerd isoladão.

Aí você cresce e vê a babaquice que você e as pessoas foram.

E hoje em dia foda-se, admito mesmo. Tenho preguiça de quem vai beber cozamigo no Vitrine da Augusta e se acha alternativo pra caralho, de quem quer dar uma de descolado e sair toda semana e de quem acha que ficar em casa é coisa de perdedor. Eu tenho preguiça de menininhas pré-pós-adolescentes gritando desenfreadamente bêbadas e caras pagando de malvados à la Terminator. Eu tenho preguiça de intrigas de fulano com beltrano que namora ciclano, puta coisa de quinta série. Eu tenho preguiça de lugares lotados, de revoltadinhos e de auto-piedade. Eu tenho preguiça de quem não me deixa ficar na minha, sem falar nada, e me força a situações sociais desconfortáveis.

Por que preguiça, e não raiva, ódio, aversão? Preguiça porque eu realmente quero que se foda. Não ligo. Respeito quem gosta de fazer tudo isso acima, dou a maior força, mas também não dou a mínima.

Pensando bem, não estou ficando velho não. Só mudei de estilo de vida, de preferências. E quem aqui nunca fez isso, né?

O melhor lugar pra trabalhar no mundo

Provavelmente este post vai futuramente para o meu blog profissional também.

Eu posso dizer, com muito orgulho que trabalhei no melhor lugar do mundo. Não, não foi nada espetacular como vendedor de côco, game tester ou testador de colchões. Eu trabalhei como desenvolvedor. É o que sou, é o que muita gente é, e é uma profissão como outra qualquer. Mas posso dizer que neste emprego, eu tinha orgulho da minha profissão.

Em nenhum outro lugar trabalhei ou trabalharei com pessoas tão competentes. Tive o prazer de conhecer gênios, verdadeiros profissionais cujo trabalho, de tão bem feito, é arte. Pessoas humildes, dispostas a ensinar e a aprender. Pessoas diferentes, mas com o único objetivo de darem o melhor de si mesmos.

Em nenhum outro lugar terei a liberdade que tive. Liberdade de horário, liberdade de expressão, liberdade de execução. Poder sentar ao lado da pessoa que planeja tudo, e sugerir soluções e features. Poder se negar a fazer algo, provando aquilo daria errado e seria improdutivo. Poder fazer coisas novas, testar, ousar.

Em nenhum outro lugar eu poderei ver pessoas dando tiros ou jogando tênis. Num momento de stress, era só chamar um colega, ligar o Xbox ou o Wii e relaxar um pouco.

Em nenhum outro lugar eu terei Coca-Cola à vontade. Eu não tomava (crianças, isso faz mal pro estômago e pras pernas), mas saber que as latinhas estavam lá me deixava feliz.

Em nenhum outro lugar terei tanta vontade de chegar o mais cedo e sair o mais tarde possível. Não me importava em extender até tarde da noite ou até mesmo varar madrugadas para cumprir os prazos.

Em nenhum outro lugar eu terei tantas boas lembranças, certeza. Cada funcionário que esteve lá (salvo bizarras exceções) sente saudade de tudo isso que citei acima. O que eu aprendi e as pessoas que conheci eu levarei comigo pela vida inteira.

Dói-me ver todas essas pessoas separadas, tantos talentos e tantas mentes brilhantes fragmentadas, e muitas delas apagadas ou cobertas por um véu inibidor. Dói-me ver os resultados de todo esse trabalho conjunto abandonado, esquecido, com soluções, códigos e implementações de dar inveja.

Mas precisamos seguir em frente. Estou feliz no trabalho em que estou, e pretendo fazer dele um lugar cada vez melhor. Porque hoje em sei que é possível. Hoje sei que posso trabalhar em um melhor lugar do mundo.

Preocupações

Não sei qual é a dessa de se preocupar com o que você é ou como você age.

Tem gente que morre de medo de virar mais um engravatado assalariado vítima da máquina corporativa capitalista. E se orgulha em ser livre.

Mas tem gente que é feliz engravatada.

Tem gente que morre de medo de parecer quadrada demais, nerd demais, encalhada demais, anti-social demais. E sai toda semana, se orgulha em beber todas e pegar todas, e ri de quem não faz isso.

Mas tem gente que é feliz quadrada, nerd, encalhada e anti-social.

Tem gente que tem medo de parecer pobre demais. E compra carros, roupas e produtos caros.

Mas tem gente que é feliz pobre.

Tem gente que tem medo de parecer rica demais. E fala como as pessoas da periferia, se veste como morador do ‘ghetto’, e fala sobre a desigualdade social e o sistema injusto.

Mas tem gente que é feliz rica.

A gente se preocupa demais. Em como queremos ser, como vamos ser e como aparentamos ser. E não há certo ou errado, não há preto ou branco, “just fucking shades of gray” (frase do GTAIV). Será que vale a pena se preocupar tanto assim? Não é melhor simplesmente ser e estar?

A vida pode ser bem mais simples.

Os clichês (?) de ano novo

Ano Novo é sinônimo de clichê, néam? É o tio fazendo a piada do “pavê”, a tia falando do sobrinho que cresceu, o primo rico contando de como foi foda a viagem pela Europa, contagem regressiva na Globo, oferenda e pulinhos nas ondas do mar, e claro, promessas de dietas e organização durante o próximo ano.

Mas se este post se tratasse só disso, também seria clichê. Afinal, sempre tem dois lados: os que praticam as tradições e os que as criticam. E ambos são clichês, e cansam igualmente.

Estava vendo minha timeline do Twitter e me surpreendi como havia gente dos dois lados. Sempre pensei que o povo twitteiro era alternativinho e hype demais pra passar o reveillon de branco, mas encontrei muita gente estourando espumante, twittando resoluções e desejando muita paz e harmonia em 2010.

Sinceramente? Achei isso do caralho. Porque quando a gente é adolescente, acha tudo isso uma merda, uma bobagem. Mas agora, passando os reveillons separado da família, eu percebi como dá uma sensação de nostalgia, uma saudade, um leve aperto no coração lembrar de tudo isso. Do meu pai fazendo piadas com pavê. Da TV da minha tia ligada na contagem da Globo. Do meu tio me oferecendo chocolate o tempo todo. De todos vestidos de branco, da minha mãe falando pra eu comer lentilha e romã, dos abraços no “0” do relógio.

E se você é um alternativinho que ainda acha tudo isso uma grande besteira, e se um dia tiver um filho, você não vai querer que ele tenha essas mesmas lembranças boas quando for mais velho?

Que merda, dois lixeiros desejando felicidades… do alto das suas vassouras… dois lixeiros, o mais baixo da escala do trabalho. (Boris Casoy)
Humanos x animais

Estava aqui viajando na mayonnaise (sou chic), e percebi uma peculiaridade.

Nós, humanos, criamos o hábito de ter animais de estimação. Cachorros, gatos, coelhos, ratos, aranhas, cobras, whatever. E passamos boa parte do tempo ensinando-os como comer direito, o que pode e o que não pode, a mijar e cagar no lugar certo, a tratar bem as visitas, como se comportar corretamente, and so on. Eventualmente eles acabam aprendendo, fazendo tudo direitinho, achamos lindo e damos comida e fazemos carinho.

Mas e nós, pessoas? Sabemos fazer tudo isso corretamente?

Quem nunca viu alguém comer igual um ogro selvagem, ou um retardado bêbado mijar fora do vaso, alguém ser estúpido e agressivo com o próximo ou algo parecido, por favor, vá fazer um tratamento médico porque ou você não enxerga bem ou vive em outra realidade.

Às vezes penso que esses bichinhos de estimação aprendem mais rápido e melhor do que nós, humanos.

oi sou descolado no twitter bjs.

As redes sociais trouxeram um efeito amplificador à massa dos alternativinhos, workaholics e revolts: todos querem ser os mais descolados. E nessa, o Twitter leva o título de prom queen, por isso vou falar só sobre ele.

Você acessa o twitter do sujeito, e só tem tweets da seguinte categoria: garota hype falando de indecisões sobre a indumentária e make up, indecisões sobre o destino no sábado a noite, comentários sobre indumentária e make up, e comentários sobre o último destino no sábado a noite. Ou tem aqueles twitters que só pagam pau pros twitter-rockstars-nacionais, tipo @marcelotas da vida (não tirando o mérito do cara, acho o Tas um cara foda). Ou aqueles que pagam de trabalhador sofrido mas que ama o trabalho, que só twitta coisa do tipo “Acordando cedo pro dia ser produtivo”, “Hoje o dia foi produtivo, terminei 349 jobs”, “Pilhas de jobs, vamo que vamo”, “Red Bull com tubaína pra aguentar o dia de jobs”. CARALHO, quer uma plaquinha de Funcionário do Mês com sua foto igual no McDonald’s??? Ah sim, e tem o fodão. O cara sabe tudo sobre política, religão, negócios, programação e sabe resolver o problema da fome e da miséria no mundo, mas não FAZ PORRA NENHUMA porque é fodão demais pra isso.

Aí você fala, “só reclama hein cuzão, deleta os caras da tua timeline, bro”. Sei. Já tentou dar unfollow em amigo, amigo de amigo, conhecido, vizinho ou que seja? O cara nem te olha mais na cara. A gente acaba não dando unfollow porque nego acha que é pessoal e que é tipo falar “tô de mal”.

Ainda bem que o Twitter criou essas listas. Vou criar uma só pra quem fala coisas realmente bacanas, uma só pros amiguez, e uma só pros “chatos pra caralho que eu só não dou unfollow pra não gerar mimimi”.

Um infeliz Natal

Antes de tudo não se enganem. Eu gosto de Natal e quero que se foda se as pessoas são falsas ou não. Natal sempre me deu uma sensação de nostalgia, família reunida (nunca tive problemas com a minha), pratos gostosos e bons momentos.

Mas esse ano meu Natal vai ser mais infeliz. Tenho contas a pagar, preciso comer e me locomover, e quanto dinheiro eu tenho pra isso? Algumas centenas negativas na conta. Yep, não posso comprar nem um caminhãozinho de madeira na feira sem me endividar. E muito menos tenho dinheiro pra passar por janeiro.

Teoricamente eu tenho grana sim, alguns milhares aí. Mas sem receber, nada sou néam? Quando conto minha epopéia profissional desse ano, as pessoas perguntam “Mas você não se arrepende de ter saído do emprego anterior?”. Nops, nem um pouco. Era infeliz, mal pago pro que eu fazia e sem perspectivas futuras. Mas sim, me dói o coração pensar que se tivesse ficado lá, apesar de infeliz, eu teria uma cesta de natal, uma festa de final de ano, um possível bônus, 13o. e teria sido pago por cada minuto que eu trabalhei. Seria um infeliz com dinheiro.

E agora eu tenho dívidas, um semestre abandonado na faculdade (que eu troquei por horas de trabalho não pagas) e um Natal sem poder comprar nada. E isso me deixa infeliz. Um infeliz sem dinheiro.

Edit: daqui pra frente, trabalho (freela ou não), só com contrato. Pelo menos não me fodo sozinho. =]

First (possibly one of the last) post(s)

Well, é isso aí, criei um Tumblr pessoal. Quando eu digo pessoal, não é pessoal igual meu Twitter, meu outro Tumblr, ou meu site pessoal, onde meu traseiro é limpinho e sou super descolado em design e interface.

Quando eu digo pessoal, eu digo humano, bem na raiz.

Dexter Morgan, do seriado Dexter, disse

“Todos nós temos nossa vida pública, nossa vida privada… e nossa vida secreta, e essa é a que o define.”

Não poderia ser mais verdadeira essa frase. Trazendo para o mundo 2.0 da Internê mundial de computadores e tal, nossa vida pública é quando twittamos que a nossa balada foi muito foda, atualizamos o status de relacionamento no Orkut, pagamos de cult descolado, experts gastronômicos e someliers, alternativos hippies, ecofriendlies e ecochatos. É o que queremos ser.

Nossa vida privada é (perdão pelo trocadilho =D) quando cagamos. Todo mundo caga, já parou pra pensar? E é quando tomamos banho, passamos horas vendo TV comendo Ruffles e ficamos só de cueca deitado na cama olhando pro nada. É o que somos.

E tem a vida secreta. Essa é a mais perigosa. Fetiches, ambições, manias, hábitos detestáveis, rituais, pensamentos, idéias, you name it. É a que nos define. É o lado mais humano, o mais primal, a raiz, o id de Freud. Salve pessoas realmente desencanadas (não confundir com pessoas pagando de revoltadinhas), esse lado ninguém twitta, ninguém coloca no profile do Facebook.

Todos temos nosso lado limpinho e nosso lado que manda tomar no cu, não há exceções. Claro, nos meus profiles principais, continuarei sem xingar, sem profanar, sendo profissional e o cacete. Porque é isso que eu espero que as pessoas vejam, e é isso o que elas querem ver.

Mas aqui eu pouco me fodo e falo mais sobre o outro lado da vida, as ambições, as revoltas, e também as pequenas felicidades pessoais, porque não (já que essas não interessam a muita gente anyway). É isso o que eu espero mostrar aqui. E se você continuar lendo os outros posts, é isso o que vocês verão.